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Projeto do IGP leva flores e música a vítimas de violência

Servidores do DML, em parceria com a BM, visitaram mulheres atendidas pela patrulha Maria da Penha

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Projeto leva flores e música a vítimas de violência
Projeto leva flores e música a vítimas de violência - Foto: Rodrigo Ziebell/SSP
Por Ascom/IGP

Aos poucos, o ritmo suave vai tomando conta da sala do apartamento. Chega aos ouvidos, e alcança o coração de quem está na sala: técnicos de perícias do IGP, policiais militares e as donas da casa: Solange e a filha, Mariana*, que tem 7 anos, mas faz questão de contar o tempo dentro da barriga da mãe para dizer que, na verdade, já fez 8. A relação entre as duas segue umbilical: passam as manhãs juntas e praticamente não saem de casa. A clausura é causada pelo medo do pai da menina, que ateou fogo nela quando era bebê. Portador de transtornos mentais, o agressor costuma pedir emprego nos locais onde Solange já trabalhou – perseguição que ficou maior quando esta se casou de novo. Por isso, ela recebe as visitas da Patrulha Maria da Penha, da Brigada Militar. A Patrulha é composta por dois policiais militares -um deles preferencialmente do sexo feminino- e tem como finalidade ir até as casas de mulheres que tem medidas protetivas deferidas pela Justiça.

A visita iniciou com flores, entregue pelos criadores do projeto Flor (e) Ser. A ideia é acolher as vítimas de violência, usando um símbolo universal de afeto: rosas e camélias perfumadas, doadas por um casal de noivos. A parceria da cerimonialista do casamento com os servidores do Departamento Médico-Legal deu um novo destino aos arranjos, que iriam para o lixo. Eles foram buscados de madrugada, logo após a festa, e separados em arranjos menores, que foram entregues durante o trabalho da Patrulha. A comitiva visitou quatro mulheres na primeira edição do projeto, no dia 18. Para quem está acostumado a lidar com a dureza da rotina do necrotério, o Flor (e) Ser só enfatiza a necessidade, que todos tem, de acolhimento:

- Ver a realidade dentro do necrotério fez com que a gente buscasse algo mais, foi uma força pra querer acolher essas pessoas. E o acolhimento é uma via de mão dupla. O amor volta - constata a papiloscopista Maíra Meneghel, uma das idealizadoras do projeto, junto com Eron Lopes e Karen Netto.

O SOM DO HANDPAN - E, além das flores, a música também embala o projeto. O som é executado por Fernando Sessé, voluntário do projeto Handpan for Peace - iniciativa apoiada pelo RS Seguro - que já fez intervenções em asilos, presídios e manicômios. Ele usa um instrumento suíço chamado handpan: duas conchas acopladas, tocadas com as mãos, produzem um som relaxante, capaz de acalmar quem vem passando por dores emocionais.

- A troca é muito rica. É uma música simples tecnicamente, mas que tem um impacto enorme no ouvinte.

Para Solange, que vive sob a ameaça da violência, a manhã passada ao lado dos servidores públicos trouxe o que ela mais precisa: proteção. Ela, que deixou a carreira de sommelier de cervejas artesanais quando a filha foi diagnosticada com a Síndrome de Guillain-Barré, comemorou a visita.

- O som é fantástico! Quando a gente não tá muito bem a música é um gatilho pra sair da tristeza. Porque, querendo ou não, às vezes bate esse sentimento. É difícil não ter o direito de ir e vir, curtir um cinema. Tenho medo de sair sozinha.

Em outubro, o projeto foi desenvolvido na Delegacia da Mulher, em parceria com a Polícia Civil. A Diretora-Geral do IGP, Heloisa Kuser, lembra que a transdisciplinaridade entre os órgãos da Secretaria de Segurança Pública é uma das diretrizes do RS Seguro, programa de governo que abrange a área da segurança.

- “Iniciativas como essa aproximam o IGP da comunidade e ajudam a nossa missão de promover a justiça" destaca Heloisa.

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Projeto Flor (e) Ser

Projeto leva flores e música a vítimas de violência Crédito: Ascom/IGP

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Satya - música em handpan

Satya - música em handpan Crédito: Fernando Sessé

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* os nomes foram trocados

 

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