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Reconstituição facial leva à identificação de desaparecido

Técnica aplicada por peritos do IGP reduz custos com exame de DNA

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A face reconstruída foi comparada com fotos de desaparecidos
A face reconstruída foi comparada com fotos de desaparecidos - Foto: Divulgação/IGP
Por Ascom/IGP

         Uma técnica moderna e o trabalho conjunto de dois departamentos do IGP permitiram a identificação de um jovem, desaparecido na região central do Estado. Usando o crânio e softwares livres, foi possível reconstruir a face do rapaz e finalmente entregá-lo à família. O desaparecimento ocorreu em 2016, e a entrega do corpo, em 2017. O trabalho foi publicado recentemente em uma revista de reconhecimento mundial na área forense.

     A ossada estava armazenada no Departamento Médico-Legal, aguardando informações que levassem à identificação, como prontuários odontológicos e raio-x dos seios da face. Foi quando os peritos apostaram no uso de recursos de processamento digital. A partir do levantamento do perfil antropológico do crânio – que permite fazer a estimativa de sexo, idade e ancestralidade –, eles utilizaram softwares que projetaram uma imagem em 3D. O trabalho foi realizado na Seção de Perícias em Áudio e Imagem do Departamento de Criminalística, que já tem feito trabalhos de representação de cenas de crime em ambiente virtual. O resultado foi uma imagem em 3D, que forneceu as características necessárias para a projeção de uma face, dando ênfase ao aspecto técnico-pericial. Características mais artísticas, como cabelo e cor dos olhos, foram deixadas em segundo plano.

Usando softwares livres, foi possível reconstruir a face da vítima
Usando softwares livres, foi possível reconstruir a face da vítima - Foto: Divulgação/IGP
A imagem foi então comparada com as fotos cadastradas no banco de dados da Segurança Pública, que constavam como desaparecidos na região onde foi localizada a ossada. O resultado apontou para um jovem do sexo masculino, entre 26 e 30 anos e ancestralidade europeia. A identificação foi confirmada por meio de um exame de DNA, cuja amostra para comparação foi fornecida por um familiar. “O objetivo da reconstrução facial não é identificar, mas aproximar e reconhecer a fisionomia da vítima. Assim, estreitamos a procura, diminuímos o número de supostas vítimas e conduzimos até a identificação, de forma mais rápida e mais barata para o Estado, pois é feito apenas um confronto genético”, afirma a perita criminal Rosane Baldasso. A identificação  foi confirmada após comparação do DNA da vítima com o material genético fornecido por um familiar.

Métodos de identificação- A odontologia legal é um dos métodos primários de identificação, assim como a identificação papiloscópica (pelas impressões digitais) e o confronto de DNA. A reconstrução tridimensional em ambiente virtual é um dos recursos utilizados pelo IGP para fazer o reconhecimento facial ou simular cenas de acidentes e crimes. Depois dessa primeira experiência, a técnica já foi usada em outras situações.

       O estudo de caso foi publicado recentemente na revista Journal of Forensic Sciences, uma das revistas mais conceituadas na área, tendo como autores os peritos Rosane Baldasso, Elisa Gallardo, Mônica Stumvoll e Kleber Crespo, do Departamento Médico-Legal. O designer gráfico Cícero Moraes, uma das referências em reconstruções faciais do país, auxiliou o trabalho e também é co-autor do artigo, bem como dois professores universitários da Universidade de São Paulo (USP) e Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). O trabalho pode ser acessado aqui.

IGP-RS