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Perícia de Reprodução Simulada dos Fatos ajuda a esclarecer a dinâmica de crimes complexos

Publicação:

Peritos realizam reprodução simulada dos fatos
Trabalho é desenvolvido em ambientes variados, que podem incluir residências, vias públicas, estabelecimentos diversos
Por Gregório Mascarenhas | Ascom IGP

Entre os exames realizados pelo Instituto-Geral de Perícias (IGP-RS), a Reprodução Simulada dos Fatos (RSF) se destaca pela complexidade e pelo potencial de impactar diretamente o rumo das investigações criminais. O procedimento busca verificar, com base em critérios técnicos, se determinada versão de um fato é compatível com as evidências reunidas ao longo do processo.

Realizada pela Seção de Reprodução Simulada dos Fatos, sediada no Centro Regional de Excelência em Perícias Criminais (CREPEC), em Porto Alegre, a perícia atende demandas de todo o Rio Grande do Sul. Em geral, é requisitada pela Polícia Civil, mas também pode ser solicitada pelo Judiciário ou por outras instituições, como a Brigada Militar.

A RSF é mais comum em casos de crimes contra a vida, mas também pode ser aplicada em situações como acidentes, intervenções policiais, alegações de legítima defesa ou dúvidas sobre a dinâmica de um evento. O objetivo central é responder a questionamentos técnicos – os chamados quesitos – como, por exemplo, se uma determinada narrativa poderia ter ocorrido da forma descrita por testemunhas ou participantes de uma cena criminal.

Antes da atividade em campo, o perito responsável realiza uma análise detalhada do inquérito policial ou processo judicial, além de examinar laudos de diferentes áreas, como balística, necropsia, perícias de local e exames laboratoriais, bem como outros documentos que possam ser relevantes ao caso. A partir disso, é feita a organização logística da reprodução, que envolve o agendamento, a definição de participantes, a preparação do ambiente e o levantamento das condições necessárias para a realização do exame.

A execução da RSF costuma ocorrer em três etapas principais: a coleta de versões dos envolvidos, a reprodução simulada propriamente dita e a elaboração do laudo pericial. Durante a reprodução, são realizadas medições, verificação de posicionamentos, análise de trajetórias e avaliação de fatores como tempo de deslocamento e visibilidade. Em alguns casos, a atividade é marcada para o mesmo horário em que o fato ocorreu, a fim de reproduzir condições semelhantes de iluminação e visibilidade.

Diferentes locais, múltiplos agentes

O trabalho é desenvolvido em ambientes variados, que podem incluir residências, vias públicas, estabelecimentos diversos, ou áreas abertas, como estradas e matas. Em determinadas situações, mais de um local precisa ser analisado.

A perícia envolve também a participação de diferentes atores do sistema de justiça. Advogados, representantes do Ministério Público e da Defensoria Pública costumam acompanhar as atividades, além de policiais e, em alguns casos, imprensa. Os peritos, nesse contexto, atuam para garantir que os procedimentos ocorram de forma técnica, sem interferências indevidas nas versões ou na execução.

O principal insumo da RSF são os relatos dos envolvidos, que são registrados, transcritos e posteriormente confrontados. Essa análise busca identificar pontos de compatibilidade e inconsistências entre as versões apresentadas e os vestígios materiais.

O trabalho exige integração com diferentes áreas do IGP, reunindo conhecimentos de disciplinas como medicina legal, balística, engenharia e análise de locais de crime. A equipe da seção é formada por peritos com diferentes formações, refletindo o caráter multidisciplinar da atividade.

Além das técnicas tradicionais, a RSF também emprega recursos tecnológicos, como scanners tridimensionais, que permitem a criação de modelos virtuais detalhados dos ambientes analisados. Essas ferramentas auxiliam na reconstrução da cena e na visualização de posicionamentos e trajetórias, contribuindo para uma compreensão mais precisa da dinâmica dos fatos.

Os exames costumam resultar em laudos extensos, nos quais são apresentadas as análises, comparações entre versões e dessas com os exames periciais e conclusões técnicas. A perícia pode confirmar ou afastar hipóteses relevantes para a investigação, inclusive contribuindo para a comprovação de inocência ou responsabilidade de envolvidos.

IGP-RS